terça-feira, 2 de março de 2010

O brasileiro não lê e nunca irá ler por vontade própria.

"O brasileiro não lê e nunca irá ler por vontade própria."

É uma afirmação forte e precipitada, não? Mas acho que ela irá servir por um bom tempo.

O ensino brasileiro de hoje inclui na grade escolar uma matéria chamada "Literatura", que na maioria das vezes é dada junto com Português, essa matéria pelo que aprendi e aprendo, busca ensinar as diversas formas de escrita, os diversos movimentos e OBRIGAR o aluno a ler.

Sim, "OBRIGAR" (merece todo o destaque), na maioria das vezes a matéria é iniciada com a literatura brasileira, mas aquela lá das antigas, aquelas que você lê a obra de um autor e sabe a história de todos os outros, sempre terá morte, negro, índio, escravo, a nobreza, a pobre coitada e o jovem romântico. E pra não esquecer, naquele português que sua avó quase não entende.

Eu acredito que o brasileiro e qualquer outro povo têm que conhecer sua cultura, mas será que obrigar a ler certas histórias irá fazer a pessoa gostar desse tipo de leitura? Não quero dizer que na primeira aula o professor irá recomendar a leitura da série Twilight (Crepúsculo), mas por que não experimentar algo como fazer o aluno procurar um livro que lhe interesse de um autor brasileiro?

Recentemente comprei um livro duplo do Sidney Sheldon (na verdade são dois livros em um volume, em breve falarei aqui), estava começando a ler, um ótimo livro, e hoje no segundo dia de leitura meu professor fala para turma que iremos ler "O caçador de pipas" e depois "A menina que roubava livros". Sobre o primeiro ele disse que teríamos que entregar uma ficha de leitura no dia 06/04 sobre o livro e participar de uma discussão e questionário sobre o livro que irá valer nota.

Eu me pergunto: "Qual a lógica de ter acabado de ler no ano passado um romance brasileiro e iniciar o ano com esse livro? Tem alguma ordem cronológica ou algo do tipo?"

Enquanto penso isso escuto o professor falando baixo: "Essa é a única forma de fazer vocês ler."

Eu volto para o início do post e me pergunto se é precipitado dizer que o brasileiro nunca irá ler. Não, não é. Desde a escola o aluno é OBRIGADO a ler e sempre será algo que ele não vai querer fazer, o que custa fazer o aluno escolher um livro, ler e falar sobre ele?

Você deve estar se perguntando aonde o livro do Sidney Sheldon que eu comprei se encaixa na história, não é? Pois bem, nunca gostei de ler, mas esses dias ao acabar de ler "O Diário do Chaves", vi que havia a necessidade de continuar exercitando minha imaginação, enquanto lia "O Diário do Chaves" eu imaginei cada cena do livro baseado no seriado em que amo muito, mas ao acabar queria algo diferente. E quando olhei no catálogo da AVON o livro do Sidney Sheldon, corri na Wikipédia e procurei sobre os livros (é um volume com dois livros), amei as estórias, e quando o livro chegou tive a mesma sensação de imaginação, vi as cenas, os acontecimentos e tudo.

Se notaram, eu tive o interesse de procurar um livro, saber sobre a história e comprar o livro, sentir o cheiro de um livro novo (acho que todo mundo cheira um livro branquinho e novinho :) ) e a vontade de ler.

O livro que recomendam na escola só será um livro que terei que ler em menos de 30 dias e entregar um relatório. Sentiram a diferença das situações e o porquê da minha afirmação do brasileiro não gostar de ler?

Essa e qualquer geração necessita do incentivo e não da obrigação de ler livros.